15 de set de 2009

2º CORTEJO LIVRE LESTE


4 comentários:

ACALeO Ação Cultural Afro Leste Oraganizada disse...

“Todo artista tem de ir aonde o povo está “

Salve irmãos do Cortejo Livre Leste, salve irmão Leandro, compactuo com teus sentimentos... A alma dos quilombolas ACALeO também está lavada! E teus motivos são nossos: a emoção de sermos e termos artistas no chão da perifa, pisando em barro, saltando esgotos, correndo de cavalos, passando em becos e vielas, atravessando pinguelas, fazendo cirando sob o viaduto: “Ó cirandeiro, ó cirandeiro, ó a pedra do teu anel brilha mais do que o sol”... Fazendo o tete-a-tete com os moradores que observavam curiosos nossa alegria denunciadora e forrozeada: “Cheguei meu povo vim fazer teatro agora (bis), quer ir mais eu vamos, quer ir mais eu vam’bora (bis)” !
Como diz Milton Nascimento: “Todo artista tem de ir aonde o povo está “. E lá estavam as crianças, os idosos, homens e mulheres, mesmo os que optaram por ficar nas sacadas e janelas, ou ainda os motoristas que se viam obrigados a dar passagem se envolviam pela alegria do Cortejo e compactuavam com os clamores por justiça e dignidade aos moradores marcados para a desapropriação.
O coração da família ACALeO pulsou de emoção da concentração na passarela velha da Estação de Trem do Itaim Paulista até chegar na rua Gruta das Princesas - onde fomos muito calorosamente recebidos pelos atores e atrizes do Grupo de Teatro Buraco D’Oráculo que nos conduziu até a Escola Flávio Augusto Rosa para a apresentação da peça "Ser Tão Ser - Narrativas da Outra Margem".
Observar aos moradores acompanhando a peça foi outra experiência que emocionou... Os olhos atentos, a interação com as danças, com as músicas, com a percussão e com as cenas de indignação e protestos contra as desapropriações, os levou a compreender que também na arte reside a possibilidade de denúncia das injustiças. Salve o Buraco D’Oráculo, salve os artistas populares, salve o Cortejo Livre Leste, salve os moradores que se juntam para lutar, salve o MOVIMENTO POPULAR PELOS DIREITOS DOS MORADORES DAS MARGENS DO TIETÊ E POR JUSTIÇA NO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO. E, neste dia em que recebemos a notícia do falecimento de Mercedes Sosa (+ 09/07/1935), um SALVE à grande cantora e interprete latinoamericana, uma guerreira argentina, dona de uma voz importante no período das ditaduras em países da América do Sul, foi censurada e perseguida pelos ditadores, mas não se calou, com sua voz, encantou e politizou toda uma geração. Cantava coisas que explicam nossa intervenção nas coisa injustas e, em especial, a nossa esperança: “Muda o superficial, também muda o profundo, muda o modo de pensar, muda tudo neste mundo” (poema do chileno Julio Numhauser) ou “Se se cala o cantor, cala a vida, porque a vida, a vida mesma é todo um canto. Se se cala o cantor, morre de espanto, a esperança, a luz e a alegria (do poeta argentino Horacio Guarany).

YouTobe:
http://www.youtube.com/watch?v=xm9sIAW39o0
http://www.youtube.com/watch?v=g8VqIFSrFUU

Saudações à luta popular!!!

Oswaldo ACALeO

ACALeO Ação Cultural Afro Leste Oraganizada disse...

Pessoal, tô aqui pensando na beleza que foi o 2º Cortejo Livre Leste e gostaria de compartilhar um pedacinho de um turbilhão de pensamentos e idéias a partir do dia de hoje. Pode vir a ser confuso e ainda muito misturado com o esgotamento de energia... mas é sincero.

É necessário mudar a realidade baseada em eixos geográficos, econômicos e políticos nessa cidade, ainda tão presa aos resquícios dos senhores feudais, de fazenda, da casa grande em soberania a senzala. Mas a Casa Grande não quer mudar nunca, quer permanecer velha, soberana em suas varandas de frente pro vale. Já na senzala é diferente, só a mudança berra necessária. E são em nossos "quilombos" que estão as possibilidades de mudar algo. Quilombos esses localizados, sim e não mais onde, na periferia, que não é extremo, é meio-termo de cidade e campo, asfalto e terra, rio e rua, esgoto e córrego, casa com quintal e casas, muitas casas, construídas nos quintais, ambiente interiorano perdido de seu valor ritual, mítico, natural, com necessidade extrema de vínculo urbano, sujeito as mais profundas degradações para tornar a vida suportável, imediatista e entregue a luta de, somente, resolver problemas de sobrevivência. São nesses quilombos que a festa se faz necessária para expurgar a dor de cansar, a dor de quase desistir. Festejar para renovar a fé, não a religiosa, mas a fé que já nascemos com ela, recebemos com o pacote vida, a fé de, sempre, ser, estar, permanecer e continuar... sendo, estando e permanecendo. São nesses quilombos, andando por ruas ameaçadas de não mais seguir adiante, que me reconheço e me pego encontrando meu lugar no mundo, com o eco de Paulo Freire em meu ouvido dizendo que sou sujeito da história e como sujeito dela, não objeto, constato que aqui estou para mudá-la... e mudar, mudar, mudar e mudar... e não me adaptar a levada da maré... que seja entregue a maré somente uma ciranda de Lia, cantada com acompanhamento de acordeón e percussão da boa, de mãos-dadas com toda a gente que vier, assim como está sendo nosso cortejar de liberdade, leste, mandando o recado para toda a cidade, ao mundo e ao cosmos!

Deu no jornal que ia chover e não choveu
Apareceu político e não falou
Até "crente", e descrente, ficou sabendo
E do samba se certificou

Há algo de mágico nisso tudo. Foi São Jorge da camisa do Dani, ou foram os ensaios na Sta Bárbara guerreira? Eu fiz prece pra Santa Clara. Não importa... é a energia que move, humana, montanhas e, quem sabe, moveremos também máquinas e interesses políticos para o que é a favor do povo.

Obrigado a todos pelo dia hoje!

Bora que tudo isso não pára!!!

Bora!

Leandro Hoehne

Cirena Calixto disse...

Curso sobre Direito à Moradia - 1o. Encontro:

O primeiro encontro realizado dia 07 de outubro de 2009, na EMEF Professor Flávio Augusto Rosa, das 19:00 às 22:30 h, contou com a contribuição dos defensores públicos: Dr. Carlos Eduardo Targino e Dr. Pietro Estabile da Defensoria Pública Unidade de São Miguel Paulista para desenvolver o tema Defensoria Pública do Estado e o direito à moradia. O presidente da ACALeO - Oswaldo Ribeiro acolheu aos presentes falando dos propósitos deste curso sustentado na possibilidade de que os moradores da Várzea melhor compreendam o processo que estão vivendo em face do Projeto que prevê a construção do Via Parque Várzea do Tietê e justificou a ausência do defensor público Dr. Bruno Miragaia, o qual atendeu a uma convocação de última hora para ir à Brasília participar de reunião com o presidente da república.
Inicialmente os defensores falaram sobre o caráter público da defensoria do Estado – instituição composta por profissionais concursados que prestam serviços jurídicos às pessoas de baixa renda que não podem contratar um advogado. Desde sua criação (constituição de 1988) vem sendo implementada a passos curtos; no Estado de São Paulo este processo teve início no ano de 2006 e até hoje conta apenas com 400 defensores - número insuficiente para o contingente de população empobrecida e desassistida em seu direito de acesso à justiça.
Os defensores legitimaram a mobilização da população organizada neste Movimento e a cobrança que tem ocorrido aos parlamentares eleitos enquanto caminhos para a denúncia da situação dos moradores e garantia dos seus direitos, assim como a reivindicação da garantia do direito à moradia com a apresentação por parte do governo e legisladores de projetos habitacionais mais dignos que muitas das atuais moradias, as quais, denunciam ausência de dignidade humana.
Por fim, atendendo a ansiedade dos moradores por mais encontros como este, os defensores deixaram indicado o dia 23 de outubro para retornarem à comunidade e dar continuidade ao tema. Este primeiro encontro foi de grande importância para a comunidade, que demonstrou desconhecimento destes serviços jurídicos e aproximou os propósitos do MOVIMENTO POPULAR PELOS DIREITOS DOS MORADORES DAS MARGENS DO TIETÊ E POR JUSTIÇA NO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO com os da defensoria pública – justiça aos empobrecidos. E, nos acenou mais uma frente de luta – a urgente ampliação da defensoria pública para que se instalem em comunidades como a nossa na defesa e na proteção dos direitos dos aquilombados urbanos.


Saudações à luta popular!
ACALeO – Ação Cultural Afro Leste Oraganizada
Orkut: ACALeO
Fotos: RegistrACALeO

Cirena Calixto disse...

Curso sobre Direito à Moradia - 2o. Encontro

Para o tema do segundo encontro: Urbanização da Zona Leste da Cidade de São Paulo – um olhar sobre o modo de habitação dos trabalhadores – realizado no sábado dia 10/10/2009 das 14:00 às 17:30 h, na quadra da Igreja Batista da Vila Itaim, o MOVIMENTO POPULAR PELOS DIREITOS DOS MORADORES DAS MARGENS DO TIETÊ E POR JUSTIÇA NO PROCESSO DE DESAPROPRIAÇÃO, contou com a contribuição da Professora Drª Célia Maíra Estrella da Universidade Cruzeiro do Sul (UNICSUL) que, inicialmente, recebeu das mãos do presidente da ACALeO – Oswaldo Ribeiro, um livro com o texto da peça de teatro João Cândido do Brasil – A Revolta da Chibata de autoria do dramaturgo e diretor do Teatro Popular União e Olho vivo – César Vieira.
A introdução ao tema se deu a partir de um longo e bem explanado contexto histórico sobre a formação da Cidade de São Paulo, durante o qual a professora Maíra interagia com os moradores presentes, buscando em suas memórias lembranças e saberes sobre aspectos social, cultural, econômico, educacional e habitacional; retratando a grande metrópole a partir de seus símbolos de poder (Av. Paulista, mega-edifícios, condomínios fechados etc.) e dos contrastes com os bolsões de miserabilidade de suas periferias. O histórico partiu da Praça da Sé em direção à zona leste, passou por bairros como Mooca, Penha, Ermelino Matarazzo até chegar em São Miguel e Itaim Paulista revistos a partir da Capela construída pelos os indígenas, da empresa Nitroquímica, da fazenda Biacica – enquanto marcos fundantes destes bairros.
O contraponto destas histórias foi a centralidade dada ao homem e à mulher trabalhadora, enquanto sujeitos de direito, que lutaram ao longo do tempo por dignidade humana, traduzidas por lutas por asfalto, saúde, educação, transporte, moradia etc., ou seja, uma constante busca por melhor divisão do “bolo” econômico, da riqueza que produzem para a sociedade e que lhes são devolvidas às migalhas. Ao se referir à partilha de bens, da divisão social dos bens adquiridos por um Estado que se diz democrático, a professora identificou em gráficos o quanto este povo está cada vez mais periferizado, alijado dos benefícios do capitalismo e vivendo em regiões com alto índice de vulnerabilidade. O que justifica sua organização, sua luta a exemplo deste Movimento e a principal reivindicação: UMA CASA POR OUTRA CASA!
Na parte final do encontro a professora Maíra abriu para um diálogo entre todos sobre os rumos desta luta; houve atualização de informações e os presentes demonstraram o grande afeto e respeito por profissionais como esta que, no exercício da docência carrega o testemunho de uma história de injustiça, denuncia e compartilha seus conhecimentos com os vitimados desta história. Muitos aplausos e o compromisso de que a luta continuará e, agora, fortalecida pelas informações que nos tem chegado.

Saudações à luta popular!
ACALeO – Ação Cultural Afro Leste Oraganizada
Orkut: ACALeO
Fotos: RegistrACALeO